Chega um dia, que a gente simplesmente muda. Os sentimentos acabam e o coração faz novas escolhas.
Eu devo reconhecer que ninguém me conhece. Não realmente. Os que mais sabem não sabem da metade. Não deixo todos os segredos escaparem de mim, não mesmo. Uma delicadeza com os outros, eu diria, pois não quero assustar as pessoas com meu passado. Em especial aquelas que continuaram gostando de mim após o pouco que souberam. Mesmo porque aquela, que fez aquilo, não está mais aqui. Eu sou literalmente outra.
Saudade de pessoas, de lugares, de momentos. Saudade de um dia de sol, de uma noite de estrelas. Saudade de uma música, de um programa de tv. Saudade de um show, de uma festa, de um passeio. Tentamos afastá-la, esquecê-la, mas quando ela volta, volta com mais intensidade e a dor se torna pior. Quanto mais o tempo passa, maior ela se torna e as lembranças de um dia, de uma pessoa, de uma conversa ficam cada vez menos decifráveis. Nossa memória falha em se tratando de coisas que aconteceram há muito tempo. Nosso coração fraqueja ao lembrar de coisas que nos fizeram sonhar, gritar, sorrir. A saudade nos entristece, nos desanima. Tentamos buscar um refúgio para fugir dela, mas uma hora ou outra ela acaba nos encontrando. Tem coisa melhor do que matar a saudade de um amigo que não vê há muito tempo? De ir a um lugar em que você foi tão feliz? De relembrar coisas do passado?